Históricamente o farmacêutico foi um profissional de saúde que tinha suas atividades muito mais vinculadas ao apoio diagnóstico e terapêutico nos níveis secundários e terciários, prova disto é que sua atuação nas análises clínicas e farmácia hospitalar é bem mais consolidada até hoje. Porém na atenção primária sua atuação era quase inexistente, até a instituitção da Política Nacional de Medicamentos em 1998 que instituiu como um de seus eixos estratégicos a reorientação da Assistência Farmacêutica. Agora o foco mudaria, o farmacêutico deixaria de ser o profissional limitado a realizar aquisição e distribuição de medicamentos, para transformar-se em gestor da Assistência Farmacêutica. Suas atividades agora englobariam desde o planejamento inicial, com a seleção de medicamentos mais adequados, seguros e eficazes as necessidades de saúde da população até o desenvolvimento de estratégias para o seu uso racional. Neste novo contexto o desenvolvimento da Assistência Farmacêutica torna-se relevante não apena nos níveis terciário e secundário, sua maior expansão se dá no nível primário assegurando medicamentos em quantidade e qualidade adequadas a Estratégia Saúde da Família, principal estratégia do Sistema Único de Saúde para a expansão da atenção basica. Porem este profissional até recentemente não estava vinculado diretamente a Estratégia Saúde da Família, apenas no ano 2008 com a Portaria Nº 154 que cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF é que estamos vendo esta possibilidade se aproximar, mas é preciso que fique bem claro, esta portaria não insere diretamente o farmacêutico na equipe do Saúde da Família, e sim, cria a possibilidade da inclusão deste em equipes multidisciplinares que atuarão apoiando de três a vinte equipes do Saúde da família a depender do tipo de NASF implantado. Reconheçamos, é uma vitória, porém o farmacêutico ainda devem lutar pelo seu espaço, deve desenvolver habiliades para lidar com a comunidade, acompanhar e orientar o uso do medicamento em uma pespectiva diferente, se aproprindo de novos conhecimentos, adotando nova postura. Aquele farmacêutico que ficava atrás do estoque de medicamentos na farmácia e não participava da equipe de saúde não tem mais espaço, devemos, pois nos transformar, para finalmente garantir nosso espaço definitivo nos três níveis de atenção que constituem nosso sistema de saúde.
Link para a Portaria n°154/ 2008
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